Doce enigma
Doce voz
Que plana em meu olhar
Veja essas paredes brancas
O branco da paz, que grita
Que berra e se esgoela
Homicida
Tortura e perturba o ócio
Me cansa a fonte do amor
Me cansa a fonte da dor
Doce enigma
Doce voz
Que perambula pelas estrelas
Veja esse céu que morre e nasce
Aquele azul que nadas, e o preto que lhe mata
Vem e vai, uma interrogativa suicida
Pura, que alucina
Andemos de bicicleta pelos parques
Um pássaro que nasce
Caça, e evita a desgraça
Torpe e enorme
Mundo que dorme numa suave morte
Tremula, olhos que movem
Insensatez capaz de fazer correr
Sem rumo, sem voz, sem se opor a nossa dor
Comece a jogar
E se morrer, recomece a andar
Apanhe sorrisos e avisos
Apanhe dor e forças
Revitalize sua calma
Nossa arma
Que devora
Que faz voar por entre as copas verdes
Nos enlouquece e nos adormece
Viva nossa loucura, enaltece nosso amor
Vamos gritar de dor
Vamos gritar a todo vapor
Ame, meu amor
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