Ainda queremos nos disfarçar
Ainda queremos um cobertor que nos deixe invisíveis
Queríamos tanto ser independentes
Queríamos tanto andar por ai
Sempre tivemos medo de histórias de monstros
Agora vivemos entre eles
e só queremos voltar as velhas histórias...
Hoje temos medo de nos olhar no espelho e apontar para si
Não queremos mais responsabilidades
Queremos ser novamente, ingênuos ao mundo
Queremos dormir e brincar nos sonhos
Temos medo de amar agora, nos afastar depois
e chorar com vergonha de se olhar
Sentimos saudades de brincar de pique esconde
Só tínhamos que procurar nossos amigos
Hoje temos que encontrar a felicidade
depois de viver as dores fincadas no peito
Queremos nos vestir de monstros fictícios para fugirmos da
realidade
É duro ter de entender o pensar
ter que entender as palavras ditas a nós
que nos machuca, mas que nos fortalece
Sentimos saudades da época que vivíamos de verdade
Sentimos saudades da inocência nos corações
Hoje só queremos de volta nossas almas, roubadas por alguém
Esse alguém está perdido por ai, sem saber onde esconde-las
As nossas identidades foram exterminadas de forma brutal
e sem consciência de nossos corações
A sociedade engoliu ‘nossas crianças’
Agora somos só mentes que vegetam sobre corpos
Não se pensa, não se sente,
Queremos destruir contos de fadas
Tão bitolados estamos em nós mesmos
Queremos agora encontrar os monstros
das histórias de quando éramos pequeninos
Talvez eles nos guarde,
Talvez eles nos mostre que roubamos a nós mesmos
Talvez eles nos dê um espelho e nos faça enxergar
quem destruiu tudo que havia de encantador
Talvez os monstros vivem em nós mesmos ...