quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Queremos ser novamente (...).


Ainda queremos nos disfarçar
Ainda queremos um cobertor que nos deixe invisíveis
Queríamos tanto ser independentes
Queríamos tanto andar por ai

Sempre tivemos medo de histórias de monstros
Agora vivemos entre eles
e só queremos voltar as velhas histórias...
Hoje temos medo de nos olhar no espelho e apontar para si

Não queremos mais responsabilidades
Queremos ser novamente, ingênuos ao mundo
Queremos dormir e brincar nos sonhos
Temos medo de amar agora, nos afastar depois
e chorar com vergonha de se olhar

Sentimos saudades de brincar de pique esconde
Só tínhamos que procurar nossos amigos
Hoje temos que encontrar a felicidade
depois de viver as dores fincadas no peito
Queremos nos vestir de monstros fictícios para fugirmos da realidade

É duro ter de entender o pensar
ter que entender as palavras ditas a nós
que nos machuca, mas que nos fortalece
Sentimos saudades da época que vivíamos de verdade
Sentimos saudades da inocência nos corações

Hoje só queremos de volta nossas almas, roubadas por alguém
Esse alguém está perdido por ai, sem saber onde esconde-las
As nossas identidades foram exterminadas de forma brutal
e sem consciência de nossos corações
A sociedade engoliu ‘nossas crianças’
Agora somos só mentes que vegetam sobre corpos

Não se pensa, não se sente,
Queremos destruir contos de fadas
Tão bitolados estamos em nós mesmos
Queremos agora encontrar os monstros
das histórias de quando éramos pequeninos

Talvez eles nos guarde,
Talvez eles nos mostre que roubamos a nós mesmos
Talvez eles nos dê um espelho e nos faça enxergar
quem destruiu tudo que havia de encantador
Talvez os monstros vivem em nós mesmos ...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Um som, num gole de grãos envelhecidos.


Não chamo de falta de ambição
Bem menos de preguiça
Ou pouco me ferrando pro meu futuro
Simplesmente ...
... queria sentar numa poltrona
Ao lado, uma mesa redonda com uma vitrola tocando Pink floyd
E uma garrafa de whiskey Jack Daniel’s,
e no copo dois dedos do mesmo.
Queria ver o mundo mudar
Queria ver as pessoas mudarem,
Queria ver a humanidade mudar,

Você agora pode estar se perguntando :
Por que esperar pelos outros, se você mesmo pode mudar ?

Pode parecer mesquinharia,
Pode parecer falta de vontade,
Pode parecer que estou esperando cair coisas do Céu,
Pode parecer que não quero nada da vida.

Pelo contrário
Sei que posso não ter tudo e todos
Mas sei que terei o conveniente

Parece uma doce ilusão esperar mudanças
de uma geração infectada pela ignorância e falta de compaixão
Mas essa ilusão não é minha
é dos infectados pela própria mente torpe

Quero assistir de camarote toda essa festa de esgoto
De onde enfermos mentais jugam
De onde escabrosas mentes se envaidecem 

Cansei de pessoas
Cansei da cidade
Cansei de lições de moral
Cansei de ver, ver, e ver sem poder fechar os olhos.

Só um som me conforta, um gole de grãos envelhecidos me faz rir
De vossos passos
De vossa vida

Uma poda, para aquele sem toques e retoques.

Na frente da minha casa
Existe uma arvore que nunca foi podada
Ela não tem lá nem seus 30 anos
Admiro aquelas que tem 50, 200 anos
Que sem poda, são lindas e estonteantes
Sabe de uma coisa ...
... as vezes  na calada da noite,
de cima da minha casa
Fico ali namorando as estrelas
E olhando para aquele espelho
Sim, um espelho
Aquele arvore em frente a minha casa
Me vejo como ela
Nada mudou e tão estranha está
Como meu coração e minha mente
Sem toques e retoques
Sem poda
Que homem eu seria
sem assumir a fragilidade de meus sentimentos ?
Sabe o que é suicídio ?
Não, não ...
... não quero me matar
Só queria suicidar o meu eu.
E deixar um outro “EU” encarnar em mim
Aquelas arvores fabulosas e antigas
Não precisaram de um toque do homem para ser assim
A própria natureza se encarregou
de deixa-lá fascinante
O medo e o comodismo tomaram conta de mim
As vezes não me entendem
Justamente o que não é de obrigação de ninguém
Todos precisam seguir a sua vida
Só queria pedir desculpas
DESCULPA
Para aquelas pessoas que incomodei com esse meu jeito
Para aquelas que afetei com alguma atitude minha
Ou por alguma e tantas atitudes que me faltaram
Better Man
Better Man