Em todos os anos fazemos pedidos
vestimos o verde pra dar dinheiro,
o vermelho pra encontrar um amor ...
superstições e descrenças
sempre as mesmas ou as contraditórias
ao passar dos anos
Em todos os anos vemos as mesmas coisas
em lembranças a sós, ou em retrospectivas na TV
vemos perdas dolorosas de conhecidos, parentes
ou de desconhecidos que mesmo assim adimiravamos
ou somente olhávamos por ali
Gastamos dinheiro de mais
fui egoísta e fechei minha mão
a quem realmente precisava
num dia dei bom dia ao motorista do ônibus
n'outro nem ao menos vi uma idosa em pé ao meu lado
no ônibus lotado
Reclamei, e disse - porra - por várias vezes ao perder uma vaga de emprego
e quando passei pelo viaduto percebi aquele Homem só,
"embrulhado" num papelão
e vi que sou privilegiado por ter um lar
vida cruel
Por mais esse ano falei mal de muitas pessoas
muitas não ... centenas de pessoas
critiquei a mim mesmo sem perceber
Disse para as pessoas preservarem a natureza
enquanto estive por meia hora debaixo do chuveiro
Ao chegar do meu trabalho
comprimentei a visita e esqueci de mamãe,
menti mais pra ela do que para meus amigos
Deixei de comprar um alimento pra levar pra casa,
ou para um alheio esfomeado
tudo pra gasta com luxúria, naquele adidas de 600
Enfim ...
fiz e deixei de fazer
tudo o que era para ser feito
falei e guardei tudo o que era para ser dito
em 2010
e em todos os outros anos
espero que as pessoas se matem e nasçam novamente
quero que o mundo se acabe e nasça de novo
quero que as pessoas chorem e o mundo respire sem dor
quero e queremos odiar
quero e queremos amar uns aos outros
esperamos que aconteça coisas novas ou tudo novamente
peço pra você
peço ao universo
peço pra Deus
peço a mim mesmo
que sejamos compreensivos
que espalhemos o amor
um sorriso por onde passarmos
a paz nos corações
a paz a quem sofre tanto
a compaixão
a sabedoria
o dom e o prazer de ver nos olhos do próximo
que ele é como eu
que eles são como nós
que vivemos em função do próximo
vivemos em função do mundo
em função de nós mesmos
e que por fim vejamos que todos nós somos
como sempre fomos, e seremos pro resto de nossas vidas
UM SÓ
viva a paz
viva 2010
viva a nós mesmos
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
domingo, 20 de dezembro de 2009
Seu bar
Na mesa do bar te vejo sonhar
Te vejo nervosa e esbravejar
Na mesa do bar conversas vão rolar
Suas amigas chegam a te consolar
Na mesa do bar você embala no som
Canções feitas do coração
Na mesa do bar você tenta baixar o tom
Contar piadas sem noção
Na mesa do bar palavras destorcidas
Copos cheios a virar
Na mesa do bar todas envolvidas
Conversas altas a gargalhar
Na mesa do bar o mundo não existe mais
Você tenta fugir da solidão
Na mesa do bar cigarros não queimam mais
E tudo se repete em vão
Te vejo nervosa e esbravejar
Na mesa do bar conversas vão rolar
Suas amigas chegam a te consolar
Na mesa do bar você embala no som
Canções feitas do coração
Na mesa do bar você tenta baixar o tom
Contar piadas sem noção
Na mesa do bar palavras destorcidas
Copos cheios a virar
Na mesa do bar todas envolvidas
Conversas altas a gargalhar
Na mesa do bar o mundo não existe mais
Você tenta fugir da solidão
Na mesa do bar cigarros não queimam mais
E tudo se repete em vão
domingo, 13 de dezembro de 2009
Na Estrada
Já estou no fim sem ao menos ter me mexido
Pequenas coisas refletem em meus olhos secos
Cheios de desprezos, incoerências
No abismo me vi cair sem gritar de desespero
Sem sentir o vento no rosto
Vi todos passarem sem perguntar o porque
Sem terem o que fazer por mim
ou pela minha alma acuada e negra
O mais perto do fogo chegarei
O mais perto da luz temerei
E os anjos perderão suas assas ao me tocar
O abismo não tem fim
A sublime rosa em minha frente
Me da esperanças de um belo dia
Até mesmo depois do remate
Buscarei o belo dentre os espelhos a minha frente
Que me mostram as paredes caindo sobre mim
No fim da caminhada meus pés estarão gastos, sujos e rachados
Sentirei o fogo queimar as feridas
Pois tentaram me embriagar do mundo
Pequenas coisas refletem em meus olhos secos
Cheios de desprezos, incoerências
No abismo me vi cair sem gritar de desespero
Sem sentir o vento no rosto
Vi todos passarem sem perguntar o porque
Sem terem o que fazer por mim
ou pela minha alma acuada e negra
O mais perto do fogo chegarei
O mais perto da luz temerei
E os anjos perderão suas assas ao me tocar
O abismo não tem fim
A sublime rosa em minha frente
Me da esperanças de um belo dia
Até mesmo depois do remate
Buscarei o belo dentre os espelhos a minha frente
Que me mostram as paredes caindo sobre mim
No fim da caminhada meus pés estarão gastos, sujos e rachados
Sentirei o fogo queimar as feridas
Pois tentaram me embriagar do mundo
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Folhas que tocam o chão
Só sobre as calçadas
O sol é minha lâmpada
A lua e as estrelas enfeitam meu sono
E quando as folhas das arvores caem
Me confortam ao tocar o chão
O som do vento tocando as arvores
Me embriaga de solidão
Sabendo que minha única companhia
São os postes e as escadas
Na entrada de uma loja
Ou ao lado de uma banca
Os carros vem e vão
Nessa loucura dos loucos que não sabem viver
Converso com os mais loucos dos normais que aqui me acompanha
Ninguém o vê, dizem que é imaginação
E volto a dormir nas folhas secas ao chão
O sol é minha lâmpada
A lua e as estrelas enfeitam meu sono
E quando as folhas das arvores caem
Me confortam ao tocar o chão
O som do vento tocando as arvores
Me embriaga de solidão
Sabendo que minha única companhia
São os postes e as escadas
Na entrada de uma loja
Ou ao lado de uma banca
Os carros vem e vão
Nessa loucura dos loucos que não sabem viver
Converso com os mais loucos dos normais que aqui me acompanha
Ninguém o vê, dizem que é imaginação
E volto a dormir nas folhas secas ao chão
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