terça-feira, 27 de novembro de 2012

Ouça


Ouça a fúria dos céus
Mas ainda sim ele sorri com raios lá no horizonte ...
Sinto os erros escorrerem pelo meu corpo nesse banho de chuva
O olhar inocente de anos atrás entram pelo bueiro abaixo
Sinto os sentimentos da nova era
O poder de cobiçar um amor invisível
Nunca um homem no mundo será feliz
Nunca uma paixão será o bastante
Nunca o poder da mudança, lhe consumirá
Palavras residentes em mente, se desfazem num piscar
Não existe um segredo para a felicidade
Não existe um dicionário ou uma enciclopédia que nos decifrará
Os magos já podem se matar, as feiticeiras já sumir
Pozinho mágicos já foram extintos de nossa geração carente
Uma geração acanhada pelo medo de perder, pelo medo de aprender
Já o horizonte a tempos se tornou sim um abismo
Jovenzinhos não vão até lá com medo de cair [...]
Eles não se molham na chuva com medo de adoecer
De que adianta sua idade se vives cercado de adultos ?
Adultos vão nos guardar em caixas de alumínio
Vamos explorar o amor, o horizonte está ficando cinza
Será tarde para atravessar o arco-íris depois que a chuva passar
Corra, lá no fim existe um castelo
Lá poderemos ouvir sons de um maravilhoso piano de calda
Órgãos, Arpas, flautas, violoncelos e violinos
No salão principal chove como lá fora
E quando a noite chega, estrelas, constelações iluminaram seu interior
E ao fundo uma linda e suave vóz nos fará dormir. 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A boca da vida .


Estrelas e estrelas
Estas enfeitam o céu
O vento escasso, parece vegetar na copa das arvores.
Nossos passos desenham o asfalto
E no embalo, tragos afoitos.
Se desdenha palavras angustiantes
Falta fôlego para prosseguir
Falta fôlego para subir.
Lábios desvairados
Injetam palavras agonizantes ao ar
Olhos se encontram de formas distintas
E horas se passam.
Em momento de descontração
Aparentemente dispersos de um fato isolado
Que surge uma alma embriagada da vida
Que surge um corpo inquieto e aflito
Lentes de grau postadas acima das narinas
Fazia questionamentos, e ao nos escutar
Inclinava levemente seu rosto para frente
E nos olhava atentamente por cima dos óculos
Entre palavras e outras.
Aquele ser atormentado por bebidas
Cigarros e drogas a mais
Tinha uma razão para ser naquele momento
O pior de si ...
... era a partir daquela madrugada que chegara.
seu aniversário.
Da qual queria se esquecer
Pois hipócritas o abraçariam com falso moralismo
E ainda sim teria que ver sua tia amargurada e corroída pelo câncer
Lhe pedir mais um cigarro.

E Ela ...
Sentada a minha frente
De cabelos negros e extensos
Pele sedosa e quente
Com ouvidos apurados a escutar aquele homem
E seus olhos castanhos e miúdos a reparar nos
E aquela boca levemente farta
Sedutora e inquieta

Já o homem dizia :
- Vocês não entendem.

E ela abaixava levemente sua cabeça
Pressionava um lábio sobre o outro
Contraia sutilmente as bochechas.
Como se pensasse :
- E que venha novamente em minha mente a pessoa que mais amo,
Que cada vez mais, já não depende só de si. Queria por instantes esquecer, meus problemas.

O homem enfim, se foi embora.

E dali saímos, e para lá,
Logo voltamos.

E em nossas mentes só se passava :
- Como somos tão inúteis à tudo, a vida não é nada.

Parece nos restar uma única opção e ação.

Amar.

Apesar de tudo
Mais forte do que eu, é o meu eu.
Por que dizem que esta balança é forte e equilibrada
Parece pender para um lado, ou outro
As vezes impressiona-me por ir tão fundo o desequilíbrio
A angústia
O aperto no peito que sufoca; Comprime a espinha
... e arde os olhos
Por não ter
Por estar ali
Mas não ter

Tento entender como disse o homem.
Tento mesmo.

Tento me entender
Compreender

Tento fazer do tempo meu melhor amigo
Mas me sinto fraco
Sem motivos para fazer do tempo
O Manto que me torna além.

Aquele homem, a cada vez que dizia:
- Ninguém entende.

Sentia-me chicoteado pela moral
Sentia-me exprimido entre dois universos

Será mesmo que não entendemos ?
Não entendemos o sofrimento ?
Não entendemos palavras e olhares ?
Não entendemos o amor ?
Não entendemos a paixão ?

Mas o que dói mais ?
Ver um amado sofrer ?
Estar ao lado e mesmo assim estar tão longe ?

Como é entender ?
Como é sofrer ?
Como é se apaixonar ?

Como é Viver ?

Parecemos estar no mesmo barco.
Mas não ...
Vivemos em barcos distintos
Em navios fantasmas
Somos piratas de nossa própria vida
Vida
Viva

Ame.

Sem mais ...

Por que queres encontrar resposta para tudo ?

por que queres ter liberdade, sem questionar o "incompreendido" ?
por que queres amar, se não sentes arrepios ao ouvir uma linda canção ?

Aceitas fazer parte de tudo que lhe é dito que se é normal [ ... ].
Fazemos parte de uma sociedade ignorante
Fazemos parte de uma sociedade que não questiona
Fazemos parte de famílias que abominam
Estamos sendo baleados nos protestos
E os engravatados protegidos pelos mesmos que puxam o gatilho nas ruas,
os que realmente deveriam questionar suas funções
Valorizamos um calçado, e desprezamos as gentilezas
Valorizamos os status, e desprezamos uma mente alienada
Criticamos a racionalidade de um ateu
Criticamos a submissão de um cristão
Criticamos a questões de um indeciso
E então continuaremos a produzir ricos, burgueses
Mentes alienadas e ignorantes [ ... ].
Continuaremos alimentando nosso orgulho
Continuaremos alimentando o individualismo
Continuaremos alimentando um monstro que nos devora a cada dia.

Trataremos infinitamente com prioridade, nossas próprias prioridades.

A evolução tomou o caminho da cegueira,
a surdez acalma nossos sentidos,
e tão mudo estamos.


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Incerteza ...

Quando se acha que já se viu de tudo
Quando se acha que já sentimos tudo
Simplesmente, ainda estamos por brotar, no meio do deserto
Quando achas que já falou de tudo
Palavras novas vêm a encantar minha mente por uma voz de algodão
Eu quero te ver ...
Quero te sentir
Quero estar em você
Veja esse lago de água cristalina
Sinta este vento frio e uma pitada dos raios do sol
... Sinta em seus pés esta grama úmida e fria
Olhe para as folhas secas que caem destas lindas árvores...
Somos tão inúteis perante nós mesmos
Incapazes de sermos capazes, com nosso próprio ser .

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

E que os "Jogos" comecem ...


Quanto vale tua Vida ?
Quanto vale tuas alegrias ?
Vale a pena lutar por um ideal ?
Vale a pena o espetáculo da vida ?

‘ QUE  ABRAM  AS  CORTINAS,
E  APAGUEM  AS  LUZES ’

Acontecimentos extraordinários cercam nossas vidas
E tão cegos estamos
Para que olhos para em enxergar o caminho
Se não tens consciência de si ?
Se não tens de si próprio, o conhecimento ?
Se não sabe para que andas ...

Realidade ou ficção ?
O que vês ?
O branco que tu vê é o mesmo que eu enxergo ?

As vezes parecemos tão reais e tão verdadeiros
Somos por vezes a falsidade de nosso consciente
E o vão de nossa existência
Os nossos sentidos nos levam a crer que vivemos em uma realidade
Nos leva a crer também que a humanidade é uma mentira de Deus

É tão fácil se culpar,
é tão fácil culpar Lúcifer,
e é tão fácil culpar a Deus

Estamos a beira do masoquismo
Estamos a beira do cume
que criamos de nossos costumes, com nossas palavras
com nossos olhares, com o nosso ego.

Afinal de contas onde está você ?
Afinal de contas, qual o propósito de piscar ?

Trabalhar para quê ?
Comer para quê ?
Amar, por quê ?

Matar para quê ?
Vegetar para quê ?
Odiar, por quê ?

Pra que jogar-se numa paixão ?
Pra que jogar-se na angustia numa escuridão ?

Vivemos apedrejando fatos alheios
Apedrejando atitudes de um semelhante
Vivemos apedrejando nossas vidas
Nos culpamos por estarmos só
Nos culpamos por sofrer, o que o outro nos causou
Aprendemos de tudo
E erramos ...

Após as cortinas estarem abertas
Ande sem medo do escuro
Procure a realidade
Ou pelo menos, desenhe em sua mente
E que os jogos comecem ...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Queremos ser novamente (...).


Ainda queremos nos disfarçar
Ainda queremos um cobertor que nos deixe invisíveis
Queríamos tanto ser independentes
Queríamos tanto andar por ai

Sempre tivemos medo de histórias de monstros
Agora vivemos entre eles
e só queremos voltar as velhas histórias...
Hoje temos medo de nos olhar no espelho e apontar para si

Não queremos mais responsabilidades
Queremos ser novamente, ingênuos ao mundo
Queremos dormir e brincar nos sonhos
Temos medo de amar agora, nos afastar depois
e chorar com vergonha de se olhar

Sentimos saudades de brincar de pique esconde
Só tínhamos que procurar nossos amigos
Hoje temos que encontrar a felicidade
depois de viver as dores fincadas no peito
Queremos nos vestir de monstros fictícios para fugirmos da realidade

É duro ter de entender o pensar
ter que entender as palavras ditas a nós
que nos machuca, mas que nos fortalece
Sentimos saudades da época que vivíamos de verdade
Sentimos saudades da inocência nos corações

Hoje só queremos de volta nossas almas, roubadas por alguém
Esse alguém está perdido por ai, sem saber onde esconde-las
As nossas identidades foram exterminadas de forma brutal
e sem consciência de nossos corações
A sociedade engoliu ‘nossas crianças’
Agora somos só mentes que vegetam sobre corpos

Não se pensa, não se sente,
Queremos destruir contos de fadas
Tão bitolados estamos em nós mesmos
Queremos agora encontrar os monstros
das histórias de quando éramos pequeninos

Talvez eles nos guarde,
Talvez eles nos mostre que roubamos a nós mesmos
Talvez eles nos dê um espelho e nos faça enxergar
quem destruiu tudo que havia de encantador
Talvez os monstros vivem em nós mesmos ...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Um som, num gole de grãos envelhecidos.


Não chamo de falta de ambição
Bem menos de preguiça
Ou pouco me ferrando pro meu futuro
Simplesmente ...
... queria sentar numa poltrona
Ao lado, uma mesa redonda com uma vitrola tocando Pink floyd
E uma garrafa de whiskey Jack Daniel’s,
e no copo dois dedos do mesmo.
Queria ver o mundo mudar
Queria ver as pessoas mudarem,
Queria ver a humanidade mudar,

Você agora pode estar se perguntando :
Por que esperar pelos outros, se você mesmo pode mudar ?

Pode parecer mesquinharia,
Pode parecer falta de vontade,
Pode parecer que estou esperando cair coisas do Céu,
Pode parecer que não quero nada da vida.

Pelo contrário
Sei que posso não ter tudo e todos
Mas sei que terei o conveniente

Parece uma doce ilusão esperar mudanças
de uma geração infectada pela ignorância e falta de compaixão
Mas essa ilusão não é minha
é dos infectados pela própria mente torpe

Quero assistir de camarote toda essa festa de esgoto
De onde enfermos mentais jugam
De onde escabrosas mentes se envaidecem 

Cansei de pessoas
Cansei da cidade
Cansei de lições de moral
Cansei de ver, ver, e ver sem poder fechar os olhos.

Só um som me conforta, um gole de grãos envelhecidos me faz rir
De vossos passos
De vossa vida

Uma poda, para aquele sem toques e retoques.

Na frente da minha casa
Existe uma arvore que nunca foi podada
Ela não tem lá nem seus 30 anos
Admiro aquelas que tem 50, 200 anos
Que sem poda, são lindas e estonteantes
Sabe de uma coisa ...
... as vezes  na calada da noite,
de cima da minha casa
Fico ali namorando as estrelas
E olhando para aquele espelho
Sim, um espelho
Aquele arvore em frente a minha casa
Me vejo como ela
Nada mudou e tão estranha está
Como meu coração e minha mente
Sem toques e retoques
Sem poda
Que homem eu seria
sem assumir a fragilidade de meus sentimentos ?
Sabe o que é suicídio ?
Não, não ...
... não quero me matar
Só queria suicidar o meu eu.
E deixar um outro “EU” encarnar em mim
Aquelas arvores fabulosas e antigas
Não precisaram de um toque do homem para ser assim
A própria natureza se encarregou
de deixa-lá fascinante
O medo e o comodismo tomaram conta de mim
As vezes não me entendem
Justamente o que não é de obrigação de ninguém
Todos precisam seguir a sua vida
Só queria pedir desculpas
DESCULPA
Para aquelas pessoas que incomodei com esse meu jeito
Para aquelas que afetei com alguma atitude minha
Ou por alguma e tantas atitudes que me faltaram
Better Man
Better Man