Como sempre para passar o tempo com palavras e risadas
Numa noite como todas as outras
Com uma galera alucinática
Em frente uma igreja num cinza e sereno
No fim da rua empurrando um carrinho cheio de tralhas
e penduradas em seus braços sacolas cheias de latinhas
de onde tira seu sustento à sobrevivência
com sua vestimenta um tanto surrada e um par de calçado já gastos
aproxima-se dessa gente jovem aparentemente distraídos com suas histórias e fatos,
e pedi-lhes as várias latinhas de cerveja
por ali espalhadas pelo chão
mas então fica insegura por pega-las com medo de cometer um pecado
por se tratar de latinhas de bebidas alcoólicas
Indignados, as pessoas que por ali conversavam
tentam convencê-la de que isso não se trata de um pecado
e sim de um favor para a sociedade e para si mesma
em adquirir uns trocados a mais
Convencida, a senhora de aparência sofrida
De pele escura, e dentes mal cuidados de um sorriso tímido
Estufa sua pequena sacola plástica
Debaixo de um luar aconchegante
Essa senhora conta suas crenças e visões perante Deus
Fala sobre sua religião e das pessoas que por falta de amor
Fazem mal ao próximo sem sequer trocarem palavras
Comovidos e espontâneos, os que se encontravam por ali
Reviraram seus bolsos e bolsas
E então deram alguns trocados para aquele ser humilde e encantador
em um só efeito dominó ...
Assim diante dos ouvidos curiosamente atenciosos daquele pequeno grupo
Envolvida pela receptividade desses jovens
Desenrola trechos de sua história sofrida e nada fácil de se escutar
Ainda fala sobre seu filho, que por ela não deixa de ser um belo rapaz
Em meio a todo aquele vento fazendo suas coreografias exuberantes
Em mais uma bela noite de lua cheia de encantos
Aquela senhora de jeito humilde e tímido
Tem tempo de se preocupar com todos aqueles jovens
Sob o manto da noite que porém aos olhos do Homem
Perigoso e arriscado.
Após o desenrolar de muitas palavras ditas
dos lábios dessa senhora;
Chega a hora de se despedir ...
Após abraços e sorrisos calorosos
A imagem de uma senhora de pele escura, dentes avantajados e tortos
De cabelos mal cuidados, roupas e sapatos pouco vistosos
Vai se desfazendo do outro lado da rua
Numa esquina logo a frente
Parece sumir numa visão de embriagues
Parece um sonho sem sentido
Parece ser simplesmente a resposta para tudo na vida
Não sei bem o significado de tudo isso
Nem ao menos que ser era aquele
Fecho os olhos e penso num anjo levantando vôo
Batendo suas asas e formando redemoinhos de vento
Que exalam uma fragrância antes nunca sentida por nenhum homem
E ainda sim me lembro dos braços estendidos a um abraço,
ouvidos atentos e olhos fixos nos de um anjo que conheci
numa madrugada de lua cheia.
Um comentário:
Hum!
Até que essa cabeçinha ai pensa.
Esplêndido o texto.
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